NA RESENHA - JOHN MC Postado em 07 de Setembro de 2014, por Rafael Nascimento de Carvalho


NA RESENHA - JOHN MC
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Nome: João Lucas Batista da Silva (John MC)

Idade: 21

 

John, qual foi seu primeiro contato com o RAP?

Então mano, eu tinha se não me falha a memória uns 8 anos quando escutei um som do Detentos do Rap em 2001. A musica era “A Ideia é Forte”, foi no carro de um mano perto da minha casa que tive o primeiro contato com o gênero. De principio eu sentia um preconceito pelo gênero por parte dos vizinho, assim, em relação os mano que escutava , falavam que era de bandido e tal , só que eu curtia o jeito que os cara cantava ,já tinha ouvido rap gringo mais eu nunca fui muito chegado porque eu não entendia a letra e isso me incomodava. Depois por um amigo eu conheci Racionais MCs , que era uma febre grande na época, todo mundo fazia coral cantando  Vida Loka parte 1. Mas o contato mais forte mesmo com a musica foi em uma roda com alguns manos mais velho, perto da casa de uma tia minha, que eu ouvi pela primeira vez Facção Central, acho que em 2004 não me lembro muito bem , a musica “Desculpa Mãe”, a letra me tocou muito e acho que foi uma das maiores inspirações ali pra prosseguir ouvindo rap e futuramente compor também.

 

Seu contato com o HIP-HOP sempre foi através do RAP ou você se envolveu também em algum outro elemento da cultura?

Mano, quando eu era moleque a febre era o break , a molecada ia nas festas de aniversário e todo mundo arriscava uns mortal. Eu tentava também mas não fazia a mínima idéia do que era o break . Achava bonito a molecada girar la , só que eu era gordinho pra caralho na época e acho que por isso não me dei muito bem em prosseguir não rsrsrsrs. Acho que o rap era mais ativo assim porque desde moleque eu gostava de escrever umas poesias, mas tinha vergonha de expor .

 

Atualmente o RAP tem ganhado popularidade, por assim dizer, até mesmo nas grandes mídias, coisa que não acontecia antes. Qual sua opinião sobre os pontos positivos e negativos desse novo espaço?

Mano, é realmente um assunto que tem gerado muita discussão atualmente, porque o rap em si sempre tomou boicote das grandes emissoras por falar muitos pontos que a televisão ainda hoje, busca ocultar. Eu acho de extrema importância marcarmos presença em qualquer veiculo de comunicação, porém nunca deixar ser moldado pelo o que o programa apresenta. Sem identidade você não é nada! É um grande tabu ainda, principalmente por alto teor da mídia ser uma fabricação intensa de manipulação cerebral. Concordo em marcar presença com nossas idéias e com nossa bandeira de luta, mas acho que ainda há uma certa inversão de valores entre pisarmos em um palco de auditório subindo a audiência de certo programa sendo que o dinheiro gerado com a audiência vai pra comprar Ferrari nova pra empresário e nenhum saco de arroz doado pra periferia né, mano. Então fica meio hipócrita ir até uma emissora falar de mudança com a grana que eles tão ganhando com você pra encher o rabo de dinheiro enquanto vários padece na miséria em varias quebrada dessa nação.

Eu acho que o que ta faltando mesmo é uma mídia nossa, a outra cara da realidade, cobertura de sarau, evento de Hip Hop, exposição de graffiti. Temos vários artistas por esse Brasil inteiro, ofuscados pelo brilho de mil artistas que não fazem artes, porque eles aparecem na televisão. Falta mesmo um lugar nosso, pro povo não só ligar a televisão e sonhar em ser ator ou atriz, mas se enxergar lá, poder estar lá, sem nenhum boicote ou propaganda racista que te ofende 24 horas por dia.

 

Qual a maior diferença entre o John antes de conhecer o RAP/HIP HOP e o John depois, já inserido na cultura?

Mano, acho que foi uma das maiores transformações da minha vida. Tanto aquele empurrão ali pra não cair na vida do crime que vários que cresceu comigo infelizmente partiu nessa, quanto fazer o que praticamente 11 anos dentro da escola não conseguiu né, mano. A fome pela leitura, pelo conhecimento. To firme mesmo no rap, na cultura a mais ou menos uns 5 anos. Se eu tivesse despertado dentro da escola, sem sombra de dúvida eu teria sido o terror do sistema educacional rsrs. O rap simplesmente foi uma ferramenta pra mudar minha vida e hoje eu tenho isso como obrigação. Transformar o meu rap em uma ferramenta também pra poder estar mudando vidas e pensamentos, tentando conscientizar cada irmão ai, que de coração para pra ouvir a mensagem através de um som, de uma poesia, de uma troca de ideias. Sem dúvida sem o rap na minha vida eu não estaria aqui pra fazer essa entrevista hoje.

 

Quais são suas maiores influências pra compor?

Então mano, há quem diga que a gente nasce com um devido dom a fazer certas coisas, eu acredito na transformação desse dom também. Eu sempre fui muito questionador de tudo. Quando era criança, na 3ª série, a professora explicando alguns assuntos do Brasil, das matas e das riquezas, eu parei a explicação dela e perguntei por que um país tão rico tinha tanta gente com fome. Até hoje eu não consigo me lembrar muito bem qual foi e de onde eu tirei essa pergunta pra ela. Como disse eu sempre gostei de escrever poesia, desde que aprendi o que era gostava como as palavras rimavam e faziam sentido. Hoje como rapper tenho a inspiração do Eduardo, Ex Facçao Central. Acho que as letras desse mano foi o marco pra minha trajetória começar a se formar... letras inteligentes demais. E assim que eu comecei a ler livros mesmo, o livro que mais me instigou a buscar as coisas ao meu redor, meus tesouros ao meu redor,foi o livro do Paulo Coelho, “O Alquimista”. Nunca me esqueci da lição desse livro, hoje atualmente eu tenho grandes inspirações pra escrever, pra compor. Praticamente todos os que fazem parte da literatura marginal são meus ídolos, escritores da periferia... Ferrez, Alessandro Buzo, Sacolinha, Toni C, Poeta Sergio Vaz, Rodrigo Ciriaco e grandes outros também. Renan do inquérito e o marechal também são grandes vertentes pra mim na escrita e composição. O grupo A286 também.

E todos os manos que me auxiliam ai na caminhada que tenho comigo aqui. E mais a correria de alguns manos aqui da cidade como o Ricka e o Pedro Improvisador,são grandes inspirações pra mim também.

Cara acho que ícones históricos a gente tira de cada um deles a coragem né, mano. A disciplina, a postura muito importante de Mandela,Martin Luther King , Zumbi , Malcolm X, Ghandi, Che, Emiliano Zapata, Rosa Luxemburgo, Antonio Conselheiro, Chico Mendes, Mariguella e alguns outros também. São muitos! É canalizar a luta, o teor de justiça de cada mano né. São ideologias diferentes, mas todos tinham algo em comum, a revolução em prol da melhoria pro povo. Que é o que busco fazer através da minha arte hoje.

 

John, pra finalizar, a gente quer saber de você qual o seu objetivo com o RAP que você canta.

A minha função dentro dessa grande cultura através do rap é utilizá-lo como uma ferramenta de mudança pra cada pessoa que para pra ouvir, pra ler alguma coisa que eu escrevo e canto.

A principal função dentro disso é quebrar as correntes plantadas por tantos anos de um sistema de ensino completamente falho dentro da cabeça de jovens e adolescentes, como em pessoas de maior idade também, ainda presas por esse imenso processo de alienação, de adestramento cultural que vão sofrendo ao decorrer do tempo. Quero levar uma ideia de vários temas sociais e políticos, trazer esses temas pra ruas, incentivando não só a leitura como rodas de debates, discussões de temas, fazendo tudo o que o sistema não gostaria que a gente fizesse, é realmente quebrar na porrada verbal o processos de apaziguador dentro do nosso cenário atual que tem tantas culturas e manifestações vazias, enchendo a cabeça das pessoas com um vácuo que dificilmente é preenchido .

A idéia é passar que nós realmente estamos vivos e vivendo, não só existindo como marionetes ambulantes desse sistema de escravidão moderna que eles oferecem todos os dias. É um choque pra percebermos que nos somos a engrenagem disso aqui e que nos podemos mudar o cenário do país que vivemos.

Isso é o que eu busco na composição de minhas letras. Algumas pessoas usam o rap pras mais variadas coisas... lotar festas, encher copos. A minha função é só encher mentes e montar cada dia mais um movimento de luta contra toda desigualdade e preconceito que vivemos aqui.

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